SINDARE - Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual do Estado do Tocantins
02/08/2011 - 06h28m

TO tem 21 nomes na lista suja do trabalho escravo

 

O Tocantins faz uma triste figura na chamada lista suja do trabalho escravo, cuja última versão, agora com 251 nomes, foi divulgada na sexta-feira pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Destes, nada menos que 21 são de proprietários de terra no Estado, ou seja, 8,37% do total. Em seis meses, 48 nomes foram incluídos na relação mantida pelo governo federal e 5 foram excluídos.


Ontem, fiscais do MTE resgataram 69 trabalhadores em situação análoga à escravidão em 11 carvoarias de Goiás. A operação da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Estado foi desencadeada após denúncia de tentativa de homicídio de um operário.
Os carvoeiros eram trazidos irregularmente de Minas Gerais, não tinham registro e nenhum direito trabalhista, como descanso semanal remunerado, férias ou 13º salário. Nas carvoarias, as condições de trabalho e moradia eram precárias. Não havia água potável e alguns alojamentos foram erguidos em galpões de pau-a-pique, com teto de lona e piso de chão batido. Os fiscais também constataram a falta de instalações sanitárias nos locais de trabalho e nos alojamentos.


Exploração


O esquema de exploração dos trabalhadores, coordenado por uma família, funcionava havia mais de seis anos, de acordo com o MTE. Os operários eram aliciados para atividades que iam do desmatamento do Cerrado para produção de carvão à entrega do produto para siderúrgicas em Minas Gerais. De acordo com os fiscais, não eram fornecidos equipamentos de proteção individual (EPI) para execução de atividades como corte, carregamento e transporte de madeira e para o trabalho nos fornos.
Os empregadores terão que pagar R$ 680 mil em indenizações rescisórias aos trabalhadores resgatados. Cerca de R$ 200 mil foram pagos e o restante será cobrado em ação coletiva movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) contra os produtores de carvão e contra os fazendeiros onde as carvoarias estavam instaladas. Os empregados resgatados irão receber três parcelas do seguro-desemprego, de um salário mínimo cada.



Trabalho escravo



Veja as propriedades do Tocantins que figuram na lista suja do MTE:


1     Agropecuária Caracol Ltda. (Fazenda Caracol    Cachoeirinha);


2     Airton Fontenelle Rocha (Fazenda São Miguel     Xambioá);


3     Alberto de Deus Guerra (Fazenda Grotão     Colinas do Tocantins);


4     Antônio Fernando Bezerra (Fazenda Jardim Lote 01     Araguaína);


5     Antônio Gabriel de Paiva (Fazenda Três Corações     Carmolândia);


6     Arilson Alves da Silva (Fazenda Boa Esperança     Arapoema);


7     Dorival Cardoso de Oliveira (Fazenda Pedra Grande     Bandeirante do Tocantins);


8     Geraldo Otaviano Mendes (Fazenda Genipapo     Conceição do Tocantins);

9    Gerson Joaquim Machado (Fazenda São Mariano III     Darcinópolis);

10    Iakov Kalugin (Fazenda São Simeão     Campos Lindos);


11    Irene Batista Aquino (Fazenda Tupitinga     Colinas do Tocantins);


12     Jesus José Ribeiro (Fazenda Minas Gerais II     Presidente Kennedy);


13     Joaquim Faria Daflon (Fazenda Castanhal     Ananás);


14     Lauro de Freitas Lemes (Fazenda Angico     Campos Lindos);


15     Maria Castro de Souza Araújo (Fazenda Pantanal     Axixá do Tocantins);


16     Marisio Vicente da Silva (Fazenda Araguanajá     Araguaína);


17     Onofre Marques de Melo (Fazenda Água Roxa     Ananás);


18     Ronnie Petterson Moreira de Melo (Fazenda Vitória    Almas);


19     Valdeci dos Anjos Brito (Fazenda São Sebastião    Colmeia);


20     Wagner Furiati Nabarrete (Fazenda Poção Bonito    Ponte Alta do Bom Jesus);


21     Waldir Batista Rios (Fazenda Três Irmãos    Recursolândia)


 


Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)

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