SINDARE - Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual do Estado do Tocantins
15/02/2011 - 10h05m

Descrença no ajuste fiscal eleva juros

 
 

A sinalização dada pela curva de juros futuros é de que o mercado acredita cada vez menos no ajuste fiscal de R$ 50 bilhões anunciado pelo governo na semana passada. E quanto menor a contribuição do governo, maior o trabalho do Banco Central (BC).

Na segunda-feira, os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) subiram com consistência na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) e voltaram a marcar taxas observadas antes de toda a movimentação que a expectativa e o anúncio do pacote trouxeram. Tomando como referência o vencimento janeiro de 2013, a taxa que caiu a 12,68% na terça-feira, dia 8, pregão que antecedeu o anúncio oficial, fechou a sessão de ontem a 12,89%.

Além da persistente desconfiança do mercado com o ajuste fiscal, a contínua piora nas expectativas de inflação também estimulou o aumento nos prêmios de risco. O Focus mostrou inflação maior tanto em 2011 (5,75%) quanto em 2012 (4,70%). Dentro do Top Five (grupo que mais acerta), o pessimismo é ainda maior. A mediana de médio prazo já está próxima do teto da meta de 6,5%. A pesquisa sugere Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 6,44% agora em 2011.

Outro assunto que segue em pauta é o reajuste do salário mínimo, que deve ser votado amanhã. Segue a percepção de que valores superiores aos R$ 545 previstos pelo governo podem estimular novas altas nos prêmios de risco dos contratos futuros.

Colocando toda essa discussão sob o outro prisma, o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, nota um mandato duplo do governo neste começo de 2011.

Há um aceno para o mercado financeiro de que a inflação será contida: os juros estão subindo, as medidas macroprudenciais começam a mostrar efeito, e, apesar do ceticismo, há um discurso de redução da demanda do estado.

Por outro lado, o governo tenta convencer o empresariado a continuar investindo. Sinal disso, segundo o economista, são os esforços para tentar conter a valorização do real e as discussões envolvendo políticas setoriais.

A questão, segundo Perfeito, é que os sinais são conflitantes. O governo está trabalhando por uma redução na demanda das famílias e do próprio governo, mas não quer atingir o investimento. No entanto, o empresariado naturalmente se retrai ao perceber menor demanda adiante. Se a classe empreendedora não acreditar que vai vender em quantidade e preço adequado à remuneração do seu capital, ela para de investir.

Apesar desse conflito, o economista acredita ser possível atingir esses dois objetivos. Algo como reprimir o quadro presente, sem piorar a percepção com relação ao futuro.

O governo tem que deixar claro que essa é, de fato, sua intenção. E passar a sinalizar que as medidas para conter a inflação terão impacto sobre o crescimento, mas que esse é um ajuste transitório, ou seja, o empresariado deve continuar pensando em expandir capacidade e atender a demanda.

Perfeito aponta que é uma questão de gerenciamento de expectativas. Convencer que vai garantir a estabilidade dos preços e convencer o empresariado a seguir encantado com as perspectivas de crescimento de longo prazo do Brasil.

No câmbio, a semana começou com baixo volume e baixa oscilação de preço. O dólar comercial oscilou apenas R$ 0,005 entre máxima e mínima, antes de fechar a jornada com leve alta de 0,11%, a R$ 1,669.

Ontem, o Banco Central fez quatro atuações no câmbio. Foram duas compras à vista, algo que já está incorporado à rotina do mercado. E outros dois leilões de compra a termo. Mas ao contrário do observado nas outras operações do gênero, essas não contaram com aviso prévio de um dia.

O primeiro leilão a termo ocorreu por volta das 11h40 e tinha liquidação para 23 de fevereiro. A taxa de corte foi de R$ 1,6716. A segunda operação aconteceu pouco depois, e o vencimento oferecido foi 9 de março. O corte ficou em R$ 1,6759.

Na agenda do dia, atenção aos dados de inflação na China, previstos para a madrugada de terça-feira. Está prevista variação superior a 5% para os preços ao consumidor em janeiro no comparativo anual.

Também é aguardado o Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro no quarto trimestre e em todo 2010.

Por aqui, foco nas venda do comércio varejista em dezembro. As estimativas sugerem estabilidade na variação mensal, mas crescimento superior a 10% no comparativo anual. Já no confronto 2009/2010 o avanço do setor deve beirar 11%.

 

Fonte: site FENAFISCO

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