SINDARE - Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual do Estado do Tocantins
04/06/2018 - 23h52m

A IMPARCIALIDADE POLÍTICA DA IMPRENSA DO TOCANTINS: TRÊS JORNALISTAS EM ESTUDO

JORGE COUTO  

A IMPARCIALIDADEA IMPARCIALIDADE DA IMPRENSA NO TOCANTINS: TRÊS JORNALISTAS EM ESTUDO DA IMPRENSA NO TOCANTINS: TRÊS JORNALISTAS EM ESTUDO

                               Daniela Soares¹

         Jorge Antonio da Silva Couto²

Resumo: O presente trabalho tem por objetivo pôr luz a um tema relativamente debatido, alvo de intensas polêmicas e ácidas discussões no cotidiano de pessoas interessadas, mas com pouco aprofundamento nos debates. Trata-se da questionada imparcialidade dos jornalistas e da mídia em si. Este artigo busca, também, evidenciar com a maior precisão possível, em tempos de inequívoca revolução das novas tecnologias, e agora surgimento de uma nova concepção digital, em que nível de imparcialidade ou de parcialidade se portam os jornalistas do Tocantins.

Palavras-chave: Jornalismo Tocantinense. Imparcialidade. Jornalistas em Estudo. Cotidiano Jornalístico.

Abstract: The aim of this paper is to shed light on a relatively debated topic, which is the subject of intense controversy and acid discussions not daily of interested people, but with little discussion. This is the direct question impartiality of journalists and the media itself. This article also seeks to highlight with greater precision, in times of revolutionary innovation of the new technologies, and now the emergence of a new digital conception, in which it is essential or of partiality to be carried by the journalists of Tocantins.

Keyword: Journalism Tocantinense. Impartiality. Journalists in Study. Journalism Daily life.

¹Professora da disciplina jornalismo regional na Universidade Federal do Tocantins.

²Acadêmico do curso de jornalismo na Universidade Federal do Tocantins; coutojorge1192@gmail.com

Sumário: 1 Introdução. 2 Desenvolvimento do Jornalismo Opinativo. 3 Jornalismo de Opinião e sua Imprescindível Imparcialidade. 4 Os Textos Opinativos São Esclarecedores. 5 O Poder do Jornalismo. 6 Uma Aproximação ao Objeto Empírico. 7 As Abordagens Opinativas. 8 Considerações Finais. 9 Referências Bibliográficas.

1 INTRODUÇÃO

O Jornalismo Regional do Tocantins, mais precisamente de Palmas, foi estratificado para representar este estudo com enfoque no tema da imparcialidade ou mesmo da parcialidade.  Ainda no âmbito da estratificação, três jornalistas de destaque no cenário do jornalismo tocantinense foram escolhidos como personagens deste trabalho: Roberta Tum, Luiz Armando Costa e Cleber Toledo.

Tratam-se de profissionais da imprensa do Estado do Tocantins que são, ao mesmo tempo, jornalistas e empresários de comunicação, já que além do destaque de suas respectivas atuações no ramo, com a produção de bons textos, também são proprietários de empresas jornalísticas.

Os sítios www.t1noticias.com.br, www.luizarmandocosta.com.br e www.portalct.com.br estigmatizam, respectivamente, os profissionais em destaque.  Pelo carisma e “tempo de estrada” de cada um destes profissionais, aqui personagens, é natural que o seu trabalho provoque simultaneamente adeptos e críticos mordazes. Tudo isso é próprio dos processos de produção e consumo de conteúdos informativos.

As análises servirão de preâmbulo para a discussão sobre o novo cenário no qual está inserido o processo de construção do Jornalismo com direção para novos panoramas no meio digital e suas implicações em nível local, bem como aportar para as novas possibilidades de identificação do público receptor, sob uma perspectiva de observação do se pode considerar parcial ou imparcial.

De pronto, importa esclarecer que a descentralização dos meios de comunicação para o interior do país não apresentou qualquer influência para o tema. Ao contrário, há instantes em que conhecendo de perto os jornalistas, o que se torna mais fácil em cidades menores, como Palmas, principalmente se comparada às grandes capitais do país, pode-se perceber o quão “independentes” esses profissionais tentam ser. E são mesmo, pelo menos no que concerne às suas opiniões.

Nunca é demais considerar que Palmas, cidade-sede e de atuação dos personagens deste texto, além de possuir essa característica de torná-los mais acessíveis às pessoas ditas comuns, também os torna uns dos pioneiros e até desbravadores no ramo na capital tocantinense, quiçá até do próprio estado do Tocantins. Esse pioneirismo, é possível imaginar, trouxe aos mesmos, não apenas louros, mas também muitos dissabores, sobretudo por atuarem numa plaga em que a política regional é muito enraizada, é muito vivida – no seu sentido mesmo mais pessoal e até familiar da expressão. Situação tal que também os guindam à condição de polêmicos, se é que é possível defini-los com uma única expressão vernacular. É por aí, polêmicos, inclusive.

2 DESENVOLVIMENTO DO JORNALISMO OPINATIVO

O jornalismo, há quem não se canse de afirmar, tem suas raízes na forma opinativa. Outrora, os principais veículos de comunicação eram menos informativos e muito mais opinativos. Também tendenciosos, já que se predispunham, sobretudo, ao objetivo principal de convencer, mais até do que o de informar. Era o que se via. Essa observação pode ser facilmente confirmada ao se verificar a Europa na época do chamado panfletismo ideológico.

Também, no continente americano, as notícias eram dimensionadas e ganhavam maiores destaques em proporção, a partir da sua importância político-liberal, época em que não havia qualquer preocupação com o equilíbrio e imparcialidade tanto por parte da imprensa, quanto por parte do consumidor, ambos esperavam do veículo um conteúdo predominantemente opinativo.

De acordo com Luiz Gustavo Amaral (1996), em sua obra “A Objetividade Jornalística”:

“O leitor comprava e assinava jornal para saborear a versão parcial dos acontecimentos e para se ler as críticas aos adversários, quase sempre pessoais, procedentes ou não, e invariavelmente em termos fortes, quando não afrontosos”.

Este jornalismo de opinião teve que mudar ou ao menos se adaptar aos novos tempos, às novas exigências, às expectativas e perspectivas.

3 O JORNALISMO DE OPINIÃO E SUA IMPRESCINDÍVEL IMPARCIALIDADE

A imprensa norteia as suas ações sob os ditames da ideologia. Sim, a imprensa é ideológica. Que tal fazer referência às eleições americanas de 2016? O estrondoso fenômeno Donald Trump, atual presidente norte-americano, bem provou que a imprensa no seu sentido mais político é sim ideológica e esse fator a tem afastado do seu papel original de levar informações às pessoas. É cediço que praticamente cem por cento da imprensa, mídias americanas e suas associadas, foram derrotadas no pleito eleitoral estadunidense. Venceu o chamado “white trash”, paradoxalmente onde imaginavam que suas opiniões estavam bem aceitas pelo público e sedimentadas em geral. Como se viu, não era bem assim.

O presidente eleito, Donald Trump, não se fez de rogado, diferente disso, demonstrou do que era capaz. Venceu as eleições. O que aconteceu com os figurões da opinião? Ficaram perplexos. “Onde erramos?” perguntavam uns. “Por que erramos?” indagavam outros. Provou-se que a voz do silêncio quase sempre sai vencedora, coisa que opinantes ainda não tem alcance de interpretação, porque o material que dispõe para suas afirmações é, geralmente, de flancos aficionados, passionais, partidários.

É o tal jornalismo de opinião que se intromete em todos os assuntos sem comprometimento, preservados pelo direito de expressão, cujas opiniões se julgam isentas de qualquer falácia desde que possam se expressar como e quando quiserem. Não, o erro é sintomático. Modernamente o jornalista não é um técnico formado para descrever notícias, e sim para opinar politicamente sobre fatos do cotidiano, especialmente a escola da política pública, onde todos se engajam com seu viés ideológico, com notório alcance nas massas abastadas.

Os mais diversos noticiários modernos, em qualquer mídia, estão recheados de opinantes, de ditos especialistas, cujos espaços são tomados, e muitas vezes, na mesma página, com opiniões controvertidas, o que coloca o leitor em dúvida sobre a idoneidade da imprensa. Os aficcionados respondem que ela se democratizou. Ora, a imprensa não precisa se democratizar, porque a garantia de liberdade de expressão já é plena democracia, o que impõe a responsabilidade de não desvirtuar os princípios de respeito com a preferência do seu público e, portanto, em suma, não incitar a intolerância.

Neste país, até a Segunda Guerra Mundial, os gêneros de informação e de opinião se sobrepunham e se confundiam a todo momento. Com a chegada da afamada ditadura Getulista, os veículos de Comunicação eram censurados pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), o que, de acordo com Marques de Melo (1994), fez com que o jornalismo adotasse outra postura “a de uma atividade comprometida com o exercício do poder político, difundindo ideias, combatendo princípios e defendendo pontos de vista”.

E, com o decorrer do tempo, o que começou a predominar no jornalismo foi o princípio da imparcialidade. Conforme Lustosa (1996), na década de 1950 os jornalistas, com raras exceções, assumiram a pregação da imparcialidade como princípio ético e moral do jornalismo, embora praticassem exatamente o contrário. Autores como Barbeiro e Lima (2003) não acreditam na possibilidade de se alcançar a imparcialidade, pois todo ser humano é dotado de subjetividade.

O conhecido conceito de imparcialidade gera discordâncias entre os diversos autores. É o caso de Maria Elisa Porchat (2004), que entende somente existir isenção que leva à verdade, o que acaba por beneficiar às pessoas. A autora afirma que o jornalista só exerce sua função de mediador social quando é isento. Já Ricardo Noblat, atualmente colunista do Jornal O Globo, acredita que não existe verdade absoluta. Segundo ele, dois repórteres podem narrar um mesmo acontecimento de forma diferente, mas se forem bons repórteres não divergirão no essencial. Já Luiz Costa Pereira Junior assevera não ser pecado ético do jornalista publicar suas próprias opiniões, uma vez que a transgressão está em não identificar essa opinião como sendo pessoal, assumindo uma suposta neutralidade, opinião e informação devem estar devidamente distintas e personificadas.

Entretanto, nada pode ser mais instigante do que a omissão dentro do contexto da imprensa em geral. No sentir de Luiz Amaral, a omissão distorce um fato e faz com que as pessoas não esqueçam daquilo que foi divulgado, sendo difícil depois mudar tal conceito. Continua o autor, os principais motivos da existência da omissão estão relacionados ao preconceito, a pressa, os interesses materiais, o tempo e a amplitude do espaço.

4 OS TEXTOS OPINATIVOS SÃO ESCLARECEDORES

O dinamismo da vida é bem caracterizador de que a sociedade cresceu e se modernizou, consequentemente o jornalismo também teve que se adaptar a essa evolução. Os meios de comunicação foram obrigados basicamente a separar jornalismo opinativo de jornalismo informativo, cada veículo passa a organizar suas páginas/programação conforme sua linha editorial. Para Marques de Melo (1987), as opiniões emitidas pelos meios de comunicação emergem de quatro grupos: empresa, jornalista, colaborador e leitor.

A opinião da empresa aparece oficialmente no editorial, a opinião do jornalista apresenta-se sob a forma de comentário, resenha, coluna, crônica, caricatura e, em algumas situações, de artigo. O colaborador é geralmente, alguma personalidade representativa que busca espaços jornalísticos a fim de participar da vida política e cultural da sociedade, ele expressa sua opinião por meio de artigos. Já a opinião do leitor encontra expressão permanente nos veículos impressos através da carta, telefone ou via internet.

O editorial, popularmente conhecido como a opinião do veículo, tem como peculiaridade o fato de não ser assinado, de acordo com o Manual de Redaçãoda Folha de São Paulo, o editorial deve ser, ao mesmo tempo, equilibrado e enfático, evitando o sarcasmo a interrogação e a exclamação. É nesse espaço que devem ser desenvolvidos os argumentos defendidos pelo jornal, refutando opiniões contrárias e como conclusão o veículo deve sintetizar a opinião por ele adotada. De acordo com Marques de Melo (2005), o editorial deve trazer a opinião do veículo sobre os fatos de maior repercussão no momento.

O artigo possui natureza abstrata, misturando fatos e ideias e tem como principal característica a argumentação, o que o torna um gênero restrito ao meio impresso. No rádio e na televisão ele geralmente é “substituído” pela entrevista. Não é raro, segundo Marques de Melo (2003, p.121), que um artigo publicado seja pauta para uma entrevista no rádio e na TV. “Trata-se de uma matéria jornalística onde alguém (jornalista ou não) desenvolve uma ideia e apresenta sua opinião”. O autor desenvolve a ideia seguindo uma linha de pensamento própria, o artigo é marcado pela pessoalidade e deve, portanto, ser assinado.

As notícias chegam cada vez mais rápido ao cidadão, este, por sua vez, tem cada vez menos tempo para se dedicar a elas. O comentário veio para suprir essa necessidade cada vez mais instantânea que o leitor/ouvinte tem de obter não somente informações sobre o que está acontecendo, mas permitir um posicionamento em torno dos fatos. “O comentário surgiu como uma tentativa de quebrar o monopólio opinativo do editorial” (MARQUES DE MELO, 2003, p. 113).

Ele deve ter ligação direta com fatos que estão repercutindo no momento, analisando seu desenrolar e opinando sobre possíveis soluções.

A necessidade de instantaneidade de informação e opinião pode ser percebida também na influência que a opinião ilustrada exerce sobre as pessoas através de charges, caricaturas e cartuns. Rabaça (2001), afirma que a opinião ilustrada, pela sua síntese, pode ter maior peso que o próprio editorial. Isso deve-se a falta de tempo da maioria dos leitores, o desenho chama mais atenção do que a escrita seja pelo seu rápido entendimento ou pela comicidade geralmente existente neste tipo de opinião.

A crônica, segundo Luiz Artur Ferrareto (2001), está situada como um meio termo entre jornalismo e literatura, ela transita entre a realidade, a informação atual e um estilo de narração mais literário, mais poético. Nela são discutidos fatos atuais, mas sempre mantendo uma ligação com fatos que já aconteceram, seu objetivo principal é aguçar a imaginação do leitor e levantar discussões de modo mais sutil que aquelas encontradas em outros espaços.

Seu aspecto contemporâneo faz com que, segundo Marques de Melo (1994), ela seja identificada como um gênero característico do Brasil. Isso se justifica pelo fato de não haver em nenhum outro país, produção equivalente à brasileira. “Alguns correspondentes internacionais de emissoras brasileiras usam esta técnica para transmitir ao ouvinte não só uma informação, mas sim uma impressão sobre o dia-a-dia de outros países” (FERRARETO, 2001, p.283).

A coluna, de acordo com Rabaça (2001), é uma seção especializada de jornal ou revista que é redigida de maneira mais livre e pessoal do que o noticiário comum, publicada com regularidade e geralmente assinada. Ela surgiu, segundo Marques de Melo (2003) com a intenção de superar a frieza e a impessoalidade do corpo do jornal, e originando espaços dotados e valor informativo e vigor pessoal.

De acordo com Lustosa (1996, p.162), as notas das colunas são observações por vezes irônicas e que não correspondem à imparcialidade e impessoalidade exigida pela matéria informativa. Isso acaba criando certo charme, que atrai e seduz o leitor, completa ainda que “o colunista deve procurar redigir um texto leve com o uso de expressões que o tornem mais rico e agradável. A ironia e o humor são recursos fundamentais do colunismo”

Em uma visão mais geral, a opinião do leitor, segundo Martins (2003), corresponde às cartas enviadas à redação, os artigos que são escritos por colaboradores e não por funcionários do jornal (geralmente personalidades da sociedade civil), e as próprias entrevistas concedidas. Buscando um conceito mais específico, preferimos nos ater ao espaço das cartas dos leitores. “A carta é aquele espaço em certo sentido democrático, ao qual cada um pode recorrer” (MARQUES DE MELO, 2003, p. 175).

Segundo o autor, a carta do leitor não significa efetivamente um espaço democrático, pelo fato de haver uma seleção entre o que será divulgado e o que será descartado, as cartas que são enviadas às redações são conferidas, identificadas, avaliadas e selecionadas de acordo com os interesses da empresa, o que significa que nem todas serão publicadas.

Para Marques de Melo (1987, p. 179):

                                                                           

“Escrever para o jornal, mesmo que não encontre abrigo, representa o último alento de muitos cidadãos que querem dizer alguma coisa aos seus contemporâneos, que querem influir nas decisões dos governantes, que querem participar dos destinos de sua sociedade”

A resenha corresponde a apreciação de produtos culturais e obras-de-arte, que tem por objetivo orientar a ação dos consumidores desse tipo de informação. De acordo com Told Hunt4, a resenha tem como funções principais, informar; trazendo conhecimento sobre o que circula no mercado cultural; elevar o nível cultural da população; reformar a identidade comunitária; aconselhar sobre a melhor forma de aplicar os recursos; estimular e ajudar os artistas; definir o que é novidade; servir como documentação histórica além de divertir.

5 O PODER DO JORNALISMO

A mídia tem a função de fazer com que a democracia esteja ao alcance de todos, se um dos três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – falhar ou cometer algum equívoco, cabe a mídia fazer com que a situação seja revertida. Por isso, segundo Ramonet (2003), ela é conhecida como o quarto poder.

As grandes mídias, porém, têm pretensões de domínio idênticas, “estar em toda parte, o tempo todo, para exercer hegemonia” (MORAES, 2001, p. 03). Essa é a lógica da formação de opinião, muitas vezes implícita: dominar a informação para que ela seja repassada ao receptor da maneira que convir às empresas de comunicação.

De acordo com Ramonet (2003), os conglomerados de mídia têm como principal interesse triunfar o seu gigantismo, deixando de lado o exercício da democracia promovido pelo ‘quarto poder’. A informação serve apenas para alimentar os interesses das grandes empresas, e não satisfaz mais a necessidade da população.

Traquina (2003) afirma que é preciso que os meios de comunicação não se esqueçam de que é sua obrigação dar ao cidadão informação justa e significativa, enquanto os cidadãos devem exigir que isso aconteça. O cidadão muitas vezes se encontra de mãos atadas, sem ao menos perceber. Os meios de comunicação dominam a distribuição da informação, são eles que decidem quais notícias serão disponibilizadas para o público e de que forma elas serão divulgadas.

Por mais que haja concorrência entre os veículos de comunicação, todos eles compartilham da ideologia dominante, portanto a informação chegará com a mesma perspectiva para o público. Este se encontra de mãos atadas perante tal situação:

“Ora, o único meio que dispõe o cidadão para verificar se uma informação é verdadeira é confrontar os discursos dos diferentes meios de comunicação. Então se todos afirmam a mesma coisa, não resta mais do que admitir esse discurso único” (RAMONET, 2007 p.45).

Mesmo que algo for falso, se toda a mídia apresentar como verdadeiro, dessa mesma forma será recebido pelo público porque ele, muitas vezes, não terá outra opção.

De forma a verificar se a descentralização da mídia para o interior do país significou efetivamente a democratização da informação ou apenas a mera repetição do discurso oficial, chegamos ao nosso objeto de estudo, verificar qual o espaço destinado ao jornalismo opinativo nos veículos de comunicação do município de São Miguel do Oeste (SC) e quais as temáticas mais presentes nesses espaços.

6 UMA APROXIMAÇÃO AO OBJETO EMPÍRICO

A cidade de Palmas, ao centro do Estado do Tocantins, capital deste, foi escolhida por tratar-se de um pólo regional. Como estamos lidando com um município que é tomado como referência pelos demais municípios do extremo-oeste catarinense poderemos identificar a realidade midiática regional.

O universo de estudo corresponde aos jornais impressos que são produzidos na cidade migueloestina: jornal Folha do Oeste, Gazeta Catarinense – ambos bissemanais, Jornal Regional e Jornal Imagem – semanais; e as emissoras radiofônicas Rádio Peperi AM e Rádio 103 FM. O período de análise compreende ao período de 1º de março a 30 de abril de 2008. O método utilizado compreendeu a clipagem da amostra de jornais impressos e gravação da programação jornalística radiofônica, além de entrevistas com os produtores de conteúdo opinativo e representantes dos veículos estudados.

O período de análise previamente definido justifica-se pelo fato de nesse espaço de tempo não haver qualquer evento de grande porte em nível regional ou estadual que viesse a desviar a atenção dos veículos de comunicação. Outro fator, e talvez o mais relevante, é a relativa distância com o período eleitoral, onde todos os holofotes seriam direcionados para partidos e seus candidatos, já que nesses períodos enfatizam-se as disputas políticas.

Durante o período de estudo, quantificou-se, aproximadamente, o espaço destinado ao jornalismo opinativo em cada veículo de comunicação. Para os jornais impressos utilizou-se o número de páginas e nos meios radiofônicos as horas/minutos de programação.

É muito perceptível nos veículos de comunicação de Palmas, mais propriamente nos sítios de notícias, o predomínio do oficialismo nas informações jornalísticas. Os canais de comunicação, sítios, jornais e as emissoras, mesmo algumas vezes não admitindo tal situação, trazem em grande parte de suas páginas programação de conteúdo e de fontes oficiais. Qual seja, dos governos municipais, estaduais e até mesmo do governo federal, quando não dos demais poderes além do executivo, que são o judiciário e o legislativo, sem deixar de mencionar os peculiares tribunais de contas, defensorias públicas e ministérios públicos (Estadual e da União) que também constituem órgão oficiais do Estado (ente de organização social).

Os próprios editores dos veículos de comunicação admitem a preferência por fontes oficiais. Roberta Tum (T1notícia.com.br), Luiz Armando (luizarmandocosta.com.br) e Cléber Toledo (portalct.com.br) admitem tacitamente que os respectivos veículos que representam, priorizam fontes oficiais por elas serem destinadas para tal finalidade, são elas que possuem as informações mais importantes, eles ressaltam que os sítios não renegam nenhuma fonte, mas que a fonte oficial é sempre consultada.

A utilização de fontes oficiais é, sem dúvida, um problema histórico na imprensa catarinense, e muitas vezes é sintoma de um fator que também pode ser percebido nos veículos de comunicação do Tocantins, a proliferação das assessorias de imprensa, como se pode ver no cotidiano.

Os sítios de Palmas e mesmo os do interior, mantém por característica relações estreitas com os municípios e o próprio estado, o que acaba refletindo as disputas, as lideranças e as paixões políticas. Para a autora isso não significa que os sites estão, necessariamente, servindo ao poder público, ela acredita que a ideia de que a imprensa local depende do faturamento da prefeitura tem outra conotação.

Há muitos complicadores para o exercício da profissão de jornalista, e a pressão dos anunciantes é um deles. Por trabalhar com a informação, o jornalista tem em mãos o poder de formar a opinião pública. Assim, ele se torna peça estratégica no processo comunicativo. Essa situação é identificada nos veículos tocantinenses, já que todos eles admitiram ter sofrido e ainda sofrerem pressões por parte dos anunciantes, principalmente de grandes empresas, e, muito mais por partes de importantes autoridades públicas, principalmente de políticos investidos ou não no poder.

7 AS ABORDAGENS OPINATIVAS

Os sítios www.portalct.com.br do jornalista Cleber Toledo, www.t1noticícias.com.br da jornalista Roberta Tum e www.luizarmandocosta.com.br do jornalista que dá nome ao próprio sítio, são canais de comunicação que destinam o maior espaço para o gênero opinativo nos veículos do ramo jornalístico em Palmas, aliás, no Estado do Tocantins como um todo. São editoriais quase diários abordando e opinando sobre os temas de maior evidência no momento. As manifestações opinativas são sem dúvida mais presentes nesses sítios. As maiores críticas são direcionadas principalmente à Administração Estadual, Municipal ou a atuação específica de determinados políticos, normalmente daqueles com maior poder de influência. Os integrantes do chamado “alto clero”.

Por outro lado, se em todos os canais em estudo possui conteúdo opinativo, também não se pode olvidar que os conflitos de ideias e as polêmicas, habitam com frequência o cotidiano dos mencionados jornalistas tocantinenses.  Mesmo gostando de temas mais polêmicos, o colunista se vê obrigado a omitir determinadas situações que mereceriam ser abordadas e até mesmo elogiar empresas, confundindo publicidade com opinião.

Textos sem charge, em todas as edições, na maioria das vezes aborda temas de nível estadual ou municipal e com menos frequência, mas também presentes em suas abordagens, os temas de cunho nacional. Na maioria das vezes temas com enfoque político-partidário, mas também outros temas, como combate às epidemias, esportes (sobretudo, o futebol), salário mínimo, relações internacionais, violência, aumentos no preço dos alimentos e até cultura.

No mais, nas vezes em que tratam de temas regionais retratam as situações peculiares de suas vidas, mas sempre relacionando com o novo Estado do Tocantins. O estado caçula da federação brasileira. No sítio de Luiz Armando Costa, as suas ideias e opiniões são mais frequentes, chegando a publicar até mais de dois textos diários em sua famosa coluna “Ponto Cartesiano”. O editorial de seu site.

De outra monta, quem segue em frequência de publicação o jornalista Luiz Armando, é o jornalista Cleber Toledo, que escreve quase que diariamente na sua coluna “Bom dia”, publicada em seu sítio. Já Roberta Tum, menos frequente, publica a sua “opinião” ao menos uma vez por semana, no máximo duas ou três.

Todos eles polemizam, defendem uns políticos com a mesma profusão e intensidade que criticam outros. A sua veia opinativa e a sua facilidade em conflitar, sem perderam de vista o seu direito de dizer o que pensam, os tornam sem dúvida as maiores referências do jornalismo no Tocantins. Assim, vale a leitura, a seguir doze editoriais, textos opinativos e ácidos, quatro de cada um desses impagáveis jornalistas. Pela ordem, os quatro primeiros textos são de Roberta Tum, a seguir, do quinto ao oitavo texto, de Luiz Armando Costa, e, por fim, os quatro últimos, de Cléber Toledo.

“Os três passos à frente do governo Marcelo e a vontade do Tocantins voltar a crescer

Entrega e ocupação do terceiro piso do HGP é um dos sinais de que o governo Marcelo Miranda deu alguns passos à frente e deixou de administrar apenas a folha e a dívida pública

09/05/2017 18:20:58 - Atualizada em 09/05/2017 18h32min Roberta Tum

“... Na fala de Marcelo Miranda em todas as entrevistas, ouve-se a preocupação com a humanização do atendimento à saúde. Acredito que ele de fato deseja isso...”

Vê-se a benevolência da articulista ao “acreditar” que, de fato, o governador Marcelo Miranda preocupa-se em humanizar o atendimento à saúde. Ora, a questão principal nem é de acreditar ou deixar de acreditar nas reais intenções do referido político em relação ao atendimento à saúde, e sim de abordar efetivamente o que o mesmo, enquanto chefe do executivo estadual, tem realizado para a consecução de tal fim. Em tempos de corredores de hospitais, lotados de pacientes em macas, muitas vezes até no chão, agonizando e sofrendo as agruras de um atendimento médico-hospitalar claudicante.

A abordagem, portanto, é que se apresenta, aparentemente, tendenciosa. Neste caso, em favor do governador.

“...A boa e nova notícia no HGP deve aliviar em muito o estresse de enfermeiros e pacientes. Um novo ar paira por alí.

No ambiente político parece também que novos ares chegaram para o governo Marcelo Miranda...”.

           O extrato de texto acima bem demonstra a boa vontade da jornalista Roberta Tum com o governador. Os comentários tendem para os constantes e reiterados elogios e mensagens de expectativas positivas.

“A PEC da vergonha: nem Kátia Abreu, que marcha para enfrentar Amastha, vota a favor…

Recebi mais cedo nesta quinta-feira, 23, a seguinte mensagem da senadora Kátia Abreu, via WhatsApp: ´Sou contra a PEC que quer impedir estrangeiros de se candidatarem ao governo. Não sou oportunista: disputas se vencem nas urnas. Votarei contra esta PEC’.


           Aplaudi de pé. Primeiro por que há anos acompanho as idas e vindas nas relações entre a senadora e o prefeito Carlos Amastha. São duas personalidades fortes. São dois políticos com pouca preocupação em jogar para a plateia em assuntos polêmicos: pagam o ônus de defenderem o que pensam, ainda que isso possa ser, ocasionalmente, impopular. As semelhanças param por aí e provavelmente, pelo andar da carruagem, os dois podem se enfrentar lá em 2018...”.

“Na semana passada fui informada por uma fonte na Câmara Federal, de que o

O deputado Carlos Gaguim não vai falar sobre o assunto, mas já está carimbado nele o carimbo de autor oculto da PEC. Amastha, como de seu feitio, respondeu com ironia: “não me acho tão importante para dar causa a uma PEC. Será que sou?”.


Nestes três parágrafos, a jornalista pouco esconde a sua admiração pela senadora Kátia Abreu e pelo prefeito Carlos Amastha, ambos postulantes ao cargo de governador do Estado do Tocantins. De outra monta não “alivia” para o deputado federal Carlos Gaguim, que independentemente das opiniões a respeito do tema, não se pode olvidar que a Proposta de Emenda à Constituição para impedir que estrangeiros concorram aos respectivos governos estaduais, passa-se a ideia de que um indefensável erro por parte do parlamentar tocantinense, o que está longe de fazer sentido.

“Aproximação de Marcelo com Vicentinho é mais que indício, uma evidência. E aliança com Amastha, uma possibilidade

A aproximação de Vicentinho Alves (PR) com Marcelo Miranda (PMDB) segue o rito dos aliados. Vicentinho foi defensor do impeachment de Dilma Roussef, estando, portanto, ao lado de Michel Temer que, em face da divisão do PMDB no Estado, tem sido, é possível deduzir, o fiador (e até condutor) da relação e, por consequência, de uma aliança em 2018.

Ao eximir-se de pactuar por uma união entre as divisões do partido no Estado, Temer escolheu um lado: a manutenção da situação que beneficia Marcelo Miranda, fazendo dele, portanto, o seu braço partidário. Ainda que do PMDB autêntico, na prática, não exista mais que  espasmos esporádicos, sem qualquer movimentação política nas suas bases.

Mas partido nenhum quer perder um governo de Estado ou deixar de ter no Congresso um senador da legenda ou mesmo aliado. É o caso, tanto do PR como do PSB, de Carlos Amastha, por ora em atrito circunstancial com Temer por causa da reforma da Previdência. Mas tem princípios ideológico-partidários que mais os aproximam que os distanciam...”.

           No texto acima o jornalista Luiz Armando Costa, consegue fazer uma análise bem técnica conjuntura política estadual, sob o ponto de vista das perspectivas para as próximas eleições, principalmente ao que concerne ao governo estadual e às duas vagas tocantinenses ao Senado da República.

“Governo até quando acerta, erra e consegue fazer Legislativo convergir ao vício e não à virtude em matéria que vetou

A situação é de tal modo difícil para o governo que, mesmo quando acerta, parece escorregar-se no erro. Os deputados decidiram hoje retirar de pauta a apreciação de um veto integral do governador Marcelo Miranda ao Autógrafo de Lei 96, de autoria do Legislativo...”.

           Bastam dois trechos da crônica - mais precisamente a manchete e o primeiro parágrafo do texto completo - para perceber o quão insatisfeito está o jornalista, com a gestão estadual do governo do Tocantins. Independentemente da justeza da crítica, percebe-se claramente que o articulista não está de todo desprovido de um ânimo de isenção capaz, por exemplo, chega a ironizar o comportamento do governo estadual.

“O “upgrade" do governo Marcelo

O governador Marcelo Miranda (PMDB) cada dia mais dá sinais de que está intensificando sua movimentação política, ao mesmo tempo em que age para mostrar mais dinamismo administrativo com inaugurações de trechos de rodovias e obras na área de saúde. Depois de trazer importantes líderes para

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